Largos dias tem cem anos
Oh nuvens que atormentam meu solTão sombrias e certeirasAdvindas de um vento sudoesteLento de leste, fraco de oeste...Norteando e paralisando todas as açõesOh nuvens sombrias, porque me perseguem?Porque escarnecem em festa desse triste vendaval?Nuvens...Frias...Promessa de longas chuvasTalvez neblina por longos dias.Oh nuvens tão sombrias...Maltratando esse sol tão quente...Por ora desejo que se findemSe anulem.E de mãos dadasMergulhem no mar mais profundoD'alguma alma.
Alma: cavernoso depósito de paixões
Como diria Platão sobre aquela caverna escura
Digo eu sobre a alma
Depósito de paixões
Deve haver nela um sopro rígido
Fatídico, fatal...
Deve haver esse colorido real
Ou colorido assombroso
Ou colorido fantástico
Virtualmente louco...
Deve haver nessa alma
Todo luxo radioso
Como a quem sobra dor
Onde se esconde amor
Onde se deixa atingir
Em cheio
Em xeque
Deve haver medo
Medo de estar só
De ficar só
De criar
E virar pó
Só
Deve haver desejo
Uma trava
Um meio
Uma forma mal acabada de dizer o q se quer dizer
Uma forma de ver melhor
De ser melhor
Sem vias fatais
Aquém de soluções tão mortais
Deve haver
Em algum lugar
A forma exata
O enquadre perfeito
A luz correta
O ponto certo
E antes do anjo eterno
Um começo-final
Sim, deve haver
Bem onde não se sabe
E quem quer mesmo saber?!
Sobra sempre um deve
Um haver
Um desejo
E palavras leves, perdidas
De solto viver!
Pranto
"...nos seus olhos fundos guarda tanta dor, a dor de todo esse mundoEu já lhe expliquei, que não vai dar, seu pranto não vai nada ajudar(...)Eu bem que avisei, vai acabar, de tudo lhe dei para aceitarMil versos cantei pra lhe agradar, agora não sei como explicarEu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina não viu."(Chico Buarque)É tanto desengano, eu sei
Tanto que me engano e nem sei...
E quando encontro
Faço da luz bela do luar
O meu pranto
E me abandono, já com medo do abandonar
Tento explicar, tento entender pra dominar
Mas se perde o controle nesse vendaval
Nessa chuva ácida de pensamentos e sentimentos
De deslizes,
Vejo mãos se soltando
E num turbilhão, tudo desmoronando
E desejo que seja um grande pesadelo
E o sorriso lave o pranto
Fruto de todo esse medo!