23.8.06

Largos dias tem cem anos

Oh nuvens que atormentam meu sol
Tão sombrias e certeiras
Advindas de um vento sudoeste
Lento de leste, fraco de oeste...
Norteando e paralisando todas as ações

Oh nuvens sombrias, porque me perseguem?
Porque escarnecem em festa desse triste vendaval?

Nuvens...
Frias...

Promessa de longas chuvas
Talvez neblina por longos dias.

Oh nuvens tão sombrias...
Maltratando esse sol tão quente...
Por ora desejo que se findem
Se anulem.
E de mãos dadas
Mergulhem no mar mais profundo
D'alguma alma.

11.8.06

Alma: cavernoso depósito de paixões

Como diria Platão sobre aquela caverna escura
Digo eu sobre a alma
Depósito de paixões

Deve haver nela um sopro rígido
Fatídico, fatal...
Deve haver esse colorido real
Ou colorido assombroso
Ou colorido fantástico
Virtualmente louco...

Deve haver nessa alma
Todo luxo radioso
Como a quem sobra dor
Onde se esconde amor
Onde se deixa atingir
Em cheio
Em xeque

Deve haver medo
Medo de estar só
De ficar só
De criar
E virar pó


Deve haver desejo
Uma trava
Um meio
Uma forma mal acabada de dizer o q se quer dizer
Uma forma de ver melhor
De ser melhor
Sem vias fatais
Aquém de soluções tão mortais

Deve haver
Em algum lugar
A forma exata
O enquadre perfeito
A luz correta
O ponto certo
E antes do anjo eterno
Um começo-final

Sim, deve haver
Bem onde não se sabe
E quem quer mesmo saber?!
Sobra sempre um deve
Um haver
Um desejo
E palavras leves, perdidas
De solto viver!

6.8.06

Pranto


"...nos seus olhos fundos guarda tanta dor, a dor de todo esse mundo
Eu já lhe expliquei, que não vai dar, seu pranto não vai nada ajudar
(...)
Eu bem que avisei, vai acabar, de tudo lhe dei para aceitar
Mil versos cantei pra lhe agradar, agora não sei como explicar
Eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina não viu."
(Chico Buarque)

É tanto desengano, eu sei
Tanto que me engano e nem sei...
E quando encontro
Faço da luz bela do luar
O meu pranto
E me abandono, já com medo do abandonar
Tento explicar, tento entender pra dominar
Mas se perde o controle nesse vendaval
Nessa chuva ácida de pensamentos e sentimentos
De deslizes,
Vejo mãos se soltando
E num turbilhão, tudo desmoronando
E desejo que seja um grande pesadelo
E o sorriso lave o pranto
Fruto de todo esse medo!