23.9.06

Lista de compras

arroz ok
feijão ok

farinha ok
óleo ok
liberdade
manteiga ok
leite ok
açúcar ok
ovos ok
amor e
guardanapo ok
queijo ok
suco ok
biscoito ok
coca-cola ok
farinha láctea e ok
confiança
papel higiênico ok
sabonete ok
shampoo ok
creme dental ok
sabão em pó ok
esperança
lasanha ok
amaciante ok
filtro solar ok
óleo de banho e ok
caridade
frango empanado ok
batata frita ok
vinho tinto ok
amizade

alfazema ok
champignon ok
molho de tomate e ok
abundância
mesa vazia ok
prato vazio ok
barriga vazia ok
incerteza ok
poucos com muito ok
esmola na esquina ok
desigualdade ok

POBREZA ok







19.9.06

Normal e [Im]perfeito


Sonhos do mundo da lua
Amigos noturnos adormecidos
Céus estranhos
Em cálidas pedras
Vozes mais tristes
E níveis diferentes de vazios
Mais fortes, talvez...
Mais belos, talvez...
Obstante
Cegos de vez!
E eles sabiam,
Quem diria,
Da loucura registrada
Patenteada e ass[assi]inada.

Tudo popular
Tudo obscuramente claro
Tudo fortificado
Organizado
E falso...
Solto no tempo
Tudo o mais
No encalço
Tudo menos...

Besteira!!!

Solto no vento
Tudo lento
Velozmente atribulado
Tudo válido
Sombrio...
Alheio...
E raro!


10.9.06

Coração dela [antes do entardecer]



Capitão do coração dela
Não a entenda errado
É tanto brilho que ela fica ofuscada.
Capitão
Não seja tolo gastando seu latim
Ela não se importa com nada disso,
Ela prefere assim
Nunca esteve tão certa
Capitão do coração dela.
Veja como ela gosta de te olhar
Certamente você pensa sobre isso
Mas ela não liga, capitão,
Ela gosta assim.
Capitão,
Apesar de tudo, ela consegue ver além
Dos passos de tango.
Quando você sorri
O mundo dela pára, capitão
Ela gosta de ficar acordada te vendo dormir
Ela fica quieta pra ouvir sua respiração, capitão.
Não a entenda mal
Mas ela gosta de se banhar de água e sal
Acredita em promessas
E não adormece quando sabe que o sonho é ruim!
Capitão
Olhe bem
É o coração dela
Impressionante como ela nem liga, capitão
Como não se preocupa com a noite fria
Como se banha de lembranças, capitão .
Capitão do coração dela
Ela está seguindo os conselhos da vida
Ela está deixando o tempo conduzir
Não a entenda errado
Se ela paga pra ver
Ela gosta de sentir o cheiro do incenso tomando a alma...
Capitão do coração dela,
Não a entenda mal
Se dessa vez ela não vai lutar contra o entardecer...
Disseram que poderia haver mais um filme
E que os palhaços sumiriam da face da terra
E como já disse, capitão,
Ela acredita em promessas

Não gosta de champignon
Nem de assistir tv,
Não gosta de ir à praia,

Mas ela gosta de você!

7.9.06

Independe [ncia]



"A liberdade revela o ser autêntico, enseja o homem a escolher a si mesmo para governar a si mesmo." (Martin Heidegger)

Como diz aquela canção
"vai pra sempre, vai...
ser feliz é uma estrada sem fim"
Porque a força vem de onde menos se espera
E tudo é fruto do que realmente se planta!
A canção vai mais longe e diz
"deixa amanhecer"
Porque as trevas são saborosas quando são poesia,
E só há um olhar alheio sobre elas.
São frias e não correspondem ao sorriso verdadeiro
Que se estende pela janela da alma!
E se a mesma canção pergunta
Eu também me pergunto
E pergunto a cada alma
A cada átomo fragmentado no tempo
A cada olhar perdido no espaço
"porque com a gente não?!"
Fragilidade, medo, auto-suficiência, proteção...
Forças obscuras que se perdem no acaso
No silêncio de algum quarto, sala, janela... água e sal
"tens a dor, mas ainda sei que tens a mim"
Sim...
No barulho ensurdecedor da solidão
Que assola...
E quem disse que não sei?!
Ainda que me prove e des[a]prove
Não...
Em meio a tanta perturbação
Tanta química, tanta fala,
Substâncias tão distantes de mãos dadas...
Para quê?
Para nada... para tudo
Pare tudo, diga nada
Sinta nada, seja tudo
E no escuro...
Ouça...
Pense...
Sinta...
E veja...
Esse vazio...
E um pequeno feixe de luz
Iluminar graciosamente
O rastro desse novo caminhar!
Então siga
E deixe estar...
* "Canção para um grande amor" Isabella Taviani*