31.5.06

Doce Joana



SANTA JOANA D'ARC

* Domrémy, França, 6 de janeiro de 1412
+ Rouen, França, 30 de maio de 1431

[Santa Joana D’arc viveu na Idade Média , filha de camponeses, foi suscitada por Santa Margarida e Santa Catarina, aos 13 anos, a missão de libertar a França do domínio inglês. Com trajes masculinos, cabelos cortados e empunhando uma espada, tomou a frente de um exército, libertou a cidade de Orleans e corou o rei da França, Carlos VII. Sentindo-se ameaçado pela popularidade da santa, Carlos VII retirou-lhe o apoio e celebrou um armistício com os inimigos; Joana então foi vítima de uma emboscada sendo vendida para os ingleses e prisioneira do Conde de Luxemburgo. Optando por permanecer virgem, e recusando-se a entregar-se a algum homem, foi estuprada na prisão. Num processo conduzido por cerca de cem prelados e teólogos, foi julgada e condenada a ser queimada viva pela própria Igreja. A acusação: feiticeira, mentirosa, exploradora do povo, blasfemadora de Deus, idólatra, cruel, dissoluta, invocadora de diabos, herege e cismática. Joana D'Arc foi condenada às chamas em Rouen no dia 30 de maio de 1431, tendo então19 anos. Entre 1450 e 1456, o seu processo foi revisto e declarada sua inocência. Nesse período, cresceu muito a devoção popular à Joana. Foi beatificada em 1909, pelo Papa São Pio X, e canonizada por Bento XV em 1920. Por sua rebeldia espiritual e política, pelo seu moderníssimo individualismo e convicção, Joana merece figurar como ícone maior dentre as santas e mártires.]


DOCE JOANA

Apenas uma donzela rebelde,
Alguém que deu cabo a seus sonhos... vozes...
E por isso morreu!
E hoje queimam Joana novamente,
Em cada poda, cada corte,
Cada esquina,
Em cada doce menina que não pode virar soldado,
Nem pode encarar o próprio campo de batalha...
Queimam Joana e a torturam
Em cada canto desse mundo,
Mesmo sabendo que ao final
Será A SANTA
Admirável,
Exemplo de fidelidade,
Ousadia,
Força e Convicção!

[Santa Joana D'arc rogai por de nós!]

28.5.06

Bailarina, scarpin e devaneios


[Conversa com meu amiguinho Max! (o da foto!)]

Morceguinha diz:
Hoje 'tá um dia muito estranho
Max diz:
Porque estranho?
Morceguinha diz:
Parece que fui três pessoas hoje

Max diz:
Como assim três pessoas?
Morceguinha diz:
O que sou, a mulher do scarpin e a bailarina de doze anos.
Max diz:
Quem é você afinal?
Morceguinha diz:
Não sei, não sei!
Espero querer ser a mulher do scarpin
Max diz:
Porque?
Morceguinha diz:
Porque não é fácil abandonar o all star por um scarpin
A faculdade sonhada por um trabalho real.
São trocas cruéis...
Max diz:
Triste...
Morceguinha diz:
E estão arremessando pedras em minhas janelas
Max diz:
Pedras? mesmo?
Morceguinha diz:
Mesmo!
Estão invadindo minha casa, com uma foice na maçaneta!
Max diz:
Chame o policial!
Morceguinha diz:
Não adianta, ele disse que é assim, as coisas devem sair do lugar.
Não há mais nada que ele possa fazer por mim...
Max diz:
Ele quem?
Morceguinha diz:
O policial
Max diz:
Poxa...
Morceguinha diz:
Pois é... mas ele é a lei!

Prosa entre Deus e Eu












A PROSA:

Eu: Hoje vc é quem manda
Falou tá falado
Não tem discussão, não!
A sua gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão
Viu?

Deus: Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto: onde vai se esconder da enorme euforia?

Eu: Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido...
Você vai pagar, é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar!

Deus: Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.
Você vai se amargar,
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.
Eu vou MORRER DE RIR
E esse dia há de vir
Antes do que você pensa.

Eu: Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?

Deus: Você vai ter que ver
A manhã renascer e esbanjar poesia
Você vai ser dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá...
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente?

Eu: [reclusa ao silêncio que precede constatações]
Tudo bem,
Você 'tá com a razão de novo!

[Salve Chico Buarque!]

Em [concha] partida



Em concha
Fantasio o barulho de mar

Eu tento
Mas sempre foge,
Eu me enrosco
Mas o nó sempre se desfaz,

Eu deixo ir...
Porque também parto...

E as partidas não são sinônimos de fracasso!

24.5.06

Reino de Hades


Ai amor, Hades de mim!
O mais previsível dos imprevistos em minha vida!
Uma esfera que volta para o mesmo lugar
a fim de encontrar o que outrora perdera...

Ai amor, Hades de mim!
Vão-se quimeras, outonos e seu fim
Eu poderia, se não fosse a alma que insiste em me inflamar o corpo
Eu poderia, se não fosse meu próprio corpo em mim!

Hades de mim,
História de amor e sangue
fronteira da invisibilidade

Eu de Hades,
profanando qualquer templo escuro
com a carga subversiva que o amor traz

Hades em mim,
esse amor ensinando virtude às almas dos homens
mesmo parecendo sinistro e frio

Hades,
Ardendo em mim,
Procendendo de encontros temíveis
Culminando em encontros terríveis.

Hades, meu fim
Irrevogável e implacável
Reclusa a um mundo de sombras.
Fora de Hades
todo o reino se perderia...
Não teria asas...
Sem Hades, meu subterfúgio
O que seria de mim?

21.5.06

Canção Onírica

Era frio, the doors na vitrola,
E bem atrás de mim um sol poente.
Minhas mãos estavam sujas de tinta,
Cheiravam a tinta fresca
E meu cérebro rodava marcado de rum.
Mas eu sabia bem o que queria,
Sabia mais de você
Do que de minha própria vida;
E colocava a nós dois em xeque
Sempre te mantendo sob o poder de uma reticência.
De fato não havia decência,
Eu era um crime,
Uma falta de hopitalidade...
Em ambas as partes
Mas você exalava em cada palavra
Um cheiro inebriante de cigarro importado
Que se misturava harmonicamente com minhas tintas...
Assim como sua imaturidade
Se confundindo com minha fantasia...
E eu sempre lhe dizia:
“Pra que álcool, honey, se tenho tintas?”
E você respondia numa risada alta e sarcástica que tomava todo o ambiente:
“Pra que tinta, angel, se tenho vida ... e seu pudor”
Me anulava sempre sua fala!
E a gente brindava com cores diferentes
Pintando um novo quadro
Com traços cada vez mais envolventes
Terminando no quarto
Que não possuía paredes
Só nosso desejo mais ardente
Um tapete
O chão
Você e eu
Completamente bêbados
Inebriados do mais intenso e perfeito
A-M-O-R


[sentimento psicografado!]

Por onde?


Essa vida tenta seguir um rumo
E sem arrependimento, eu tento!

Mas vago, desligada e anestesiada

Tanto... e o tanto é nada
Que queria ser tudo
Pra alimentar a vaidade do mundo
E de alguém q nele [sobre] vive...
com uma força descomunal, eu sei,

E uma dúvida...
Um medo de arriscar...

E porque não?
Porque não deixar tudo de lado e servir a tantos outros deuses
Exatamente no meio
Entre Deus e o Diabo
Exatamente o lugar onde eles não gostariam
Em cima do muro,
querendo ser sugada e/ou partida em dois,
ou muito mais...

...voltar a ser partícula
ou continuar sendo nada...

Que falta do pouco...

Que falta a falta me faz!

7.5.06

Eu sangro...













EU SANGRO
só pra saber que ainda estou viva!
Pra saber que apesar da enfermidade,
existe ainda alma nesse corpo inflamado de dor!
SANGRO,
Porque sei bem do campo que semeio,
do que ele é feito,
sei em que escuridão vai levar o caminho que sigo...
Eu sei do vazio.
Da solidão...
Dá pra ver de lá,
Nítida,
A mesma ferida.


Sigo então...

marcada,

manchada,
titubeando,
aflita!


...ceifando e recolhendo [aos pedaços] minha própria vida...



2.5.06

Em terra [e casinhas]




Me foi mais um nascer do sol,
Mais um ano de vida... e um pedaço dela.
Foi um insight que trouxe trevas... e uma gota de luz que não pode iluminar.
Mas nem é tão mal...
Porque tem caixas de fósforos iluminadas e alienadoras que piscam ao mesmo tempo quando as cenas mudam.
E casarões que em olhares fortuitos são pequenos e frios, distantes...
“Ah, tive razão... tive sim”
Resolvi... mas as balsas vão e vem, levam e trazem as pessoas, numa longa e eterna despedida
E assim é o melhor.
Maqueando a tristeza pra ver se a alegria encontra seu lugar
Mas ela nem quer estar... dia nenhum e nem esse, muito menos esse...
Com ou sem motivo,
Livre ou enclausurada,
Ela fica calada
Como o gavião depenando o pombo pra devorá-lo e por ele poder manter-se vivo...

Vivo
Como a artificialidade da piscina logo abaixo...

Sobrevivo,
De soslaio, de sobreaviso, por um triz ...

Mas quando falo é por pensamentos alheios.
Dá pra ver, muito melhor, pela crista branca das ondas o que elas vão engolir dessa vez.

Aquém...
De vaga-lumes em linha reta, na escuridão,
De uma lua vermelha pra presentear um novo morador...
De conselhos nem sempre tão válidos...

... Porque são casarões!!!
Mas olhando do 11º andar são [apenas] casinhas...
Apenas telhados, varandas... em meio a terra clara, marcada de grama...
Como esse dia, toda essa vida...
Como a areia da praia encarando a imensidão do mar!

[Naty obrigada por tudo! =/ ]