A Jarra

Estava na fila ontem e ouvi tanta asneira que cansei;
Cansei de esperar e fui direto ao gerente.
Todos estavam esperando a mesma coisa, eu sei
“O produto veio com defeito, sr. Gostaria de trocar”
Eu simplesmente queria devolver,
Mas ele não quis me dar atenção, disse pra eu voltar pra fila
E adivinhe só o que aconteceu?
Algo despertou em mim, tenho certeza que meus olhos brilharam naquele instante,
Praticamente um surto psicótico,
Caminhei lentamente pela loja, parei, olhando tudo, escolhendo, e então...
Quebrei todo o jogo de cristal (belíssimo) da vitrine!
Ele veio enlouquecido, vermelho, parecia que ia explodir...
Há, há, há, foi engraçadíssimo gente, juro!
Continuando meu ritual, com a mesma calma com que derrubei tudo pelo chão,
Abri a bolsa, desembrulhei bem devagar... (E que embrulho...lindo, gente! Dessas lojas chiquérrimas, sabe?! Papel de seda, aquele laço perfeito... Nossa, nem dá vontade de abrir, tamanha é a perfeição!) peguei minha linda jarra, aquela dos sonhos de qualquer pessoa (eu iria trocá-la por uma maior, pra ter idéia de como eu tinha gostado da aquisição...)
Só de lembrar me dá uma satisfação...
Peguei aquela linda jarra, cristal puro, caríssima, ela que detinha toda a minha estima... e arremessei sem pena direto na vitrine da loja... Claro que o vidro não estilhaçou como eu gostaria, mas que fez um bom estrago fez... e minha linda [ex] jarra... coitada... Essa sim virou um monte de caquinhos, juntando-se com o jogo inteiro pelo chão da vitrine tão bem decorada (porque bom gosto é o que eles têm de melhor lá!)
E o gerente... o gerente?!
Há, há, há!!! Ele ficou louco, perdeu toda a compostura, parecia um lobo frente a presa...
E eu? Ah, eu sorri, como nunca o fizera antes... E disse a ele: “Bem, agora o sr. pode voltar para sua “fila” (e ela estava agora ainda mais quilométrica, os ânimos variavam entre a catatonia e euforia) eles o esperam... Eu não tenho mais o que esperar aqui, mas de qualquer forma, obrigado pela atenção!”
Ia saindo da loja, quando voltei-me para o gerente (que estava catatônico agora e um pouco menos vermelho!) e acrescentei: “Ah, o sr. não se preocupe, porque o seguro cobre qualquer acidente neste estabelecimento... E fique mais calmo, vermelho não é uma cor que combine com essa gravata azul celeste!”
E voltei pra casa, aliviada, abri a porta, o gato recebeu-me cheio de afeto, como sempre... Eu sorri e retribui o afeto... Ainda com ele em meu colo disse: “Feliz de você, bichano, que não tem que esperar na fila!” E gargalhei...
Fui a cozinha, abri o armário, apreciei minha coleção de jarras, uma de cada tipo... Todas tão lindas, tão diferentes...
O gato agora rodeando meus pés, pedia mais que carinho, acariciei seu pêlo, sorri... Ele miou, não queria esperar... Olhei profundamente em seus olhos, sempre apreciei o olhar dele, um amarelo brilhante, saltava-lhe a cara peluda e negra. Como era lindo!
Servi-lhe então uma boa tigela de leite bem gelado e caminhamos os dois para o silêncio do quarto!

2 Comentários:
NOSSA!!! MUUUUUUUUUIIIITO LEGAL!!! Caso fosse vida real e non virtualmente interior... Mas quem sabe... Quantas jarras ainda há para serem estilhaçadas contra as vitrines da estima... E quanto leite gelado ainda non restará a ser servido em pequenos goles de orgulho ferido a gatos selvagens inertes ou domesticados... Só se é possível saber que enquanto não hover algo MAIOR, ainda haverá muito o que se esperar em filas de ânimos cansados... E de orgulhos feridos.. E de caridade velada...
engraçado essa situaçao de exclusao por pessoas de posto elevado .. .em uito curioso essa sua tendencia psicotica na verdade roubar santionhos da loja e mais divertido hehehehhehe(sacanagem ta gente)
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